Conhecemos a manobra de arremetida como algo sério, que se ocorreu é porque algo esteve próximo de dar muito errado, um pouso que não deu certo. Inclusive, o nome mais correto e mais usado pelos pilotos e controladores para esta manobra, que consta na maioria dos manuais e da regulamentação aeronáutica, é aproximação perdida.

Porém existe um jargão no meio aeronáutico que diz que todo pouso deve ser encarado como uma arremetida que não deu certo!

O piloto deve estar sempre preparado para uma aproximação perdida, sendo o briefing* de arremetida sempre realizado no momento do briefing de pouso, e são diversos os motivos que podem levar a realizar esta manobra, entre eles:

  • Aproximação desestabilizada: aeronave chegou na aproximação final um pouco mais alta ou mais rápida do que deveria, é muito mais seguro arremeter do que forçar a barra no pouso e sair da pista;
  • Avistado algum objeto estranho ou animal na pista;
  • Aeronave que pousou à frente não conseguiu livrar a pista a tempo;
  • Condições de vento tornam o pouso inseguro, seja vento de través tirando muito a aeronave do eixo, seja um vento de cauda que aumenta muito a velocidade da aeronave em relação ao solo (vento de cauda sopra por trás da aeronave, lembre-se, para o pouso e decolagem o melhor é vento contra a aeronave);
  • Não foi possível ver a pista após atingir os mínimos meteorológicos;

Entre outros! Lembre-se, aeronaves foram feitas para voar, para subir, descer, fazer curvas, acelerar e reduzir. Elas estão seguras em voo, não há perigo nenhum numa manobra que faz uma aeronave que está descendo voltar a subir! Um piloto que arremete é um piloto preocupado em primeiro lugar com a segurança das vidas a bordo e no solo 😉

Na imagem abaixo temos uma carta IAC (Instrument Approach Chart – Carta de Aproximação por Instrumentos). Esta carta específica é um dos procedimentos de aproximação para pouso utilizando o ILS no Afonso Pena. Logo abaixo do título e identificação da carta há as frequências de comunicação necessárias e abaixo disso, antes mesmo de exibir o procedimento de aproximação em si, destacamos em vermelho onde está o procedimento de arremetida, tamanha a importância de estar com esse procedimento em mente, ele é apresentado logo no topo da carta:

carta ILS

Esse procedimento no caso é bem simples, ao iniciar a manobra o piloto deve apenas manter o rumo 153° (o mesmo que já vinha mantendo na aproximação) e subir para 6000 pés até o fixo CT007 (em um artigo futuro vamos falar um pouco mais sobre isso). Chegando no fixo CT007 o piloto deverá aguardar instruções do Controle.

O vídeo abaixo mostra uma arremetida durante aproximação para a pista 15 do Afonso Pena, devido à forte chuva que tornou inseguro prosseguir para o pouso

*briefing é uma análise e discussão prévia de qualquer procedimento crítico ou que demande mais atenção (decolagem, pouso, etc). O piloto lê ou repassa mentalmente o procedimento e o verbaliza (fala em voz alta), para que o outro piloto também esteja ciente das suas intenções e, principalmente, para ter toda a sequência da manobra fresca na memória, evitando assim que algum item seja esquecido. Um exemplo fictício de briefing, que o piloto faz antes de toda aproximação.: “Aproximação para o SBCT, procedimento ILS Y para a pista 15, [faz-se o briefing específico do procedimento de aproximação, atltiudes, rumos, mínimos…]. Em caso de aproximação perdida, aplicarei potência máxima, os flaps serão retraídos para a posição tal [varia de acordo com a aeronave] e quanto tivermos razão de subida positiva, recolhe-se o trem de pouso. Subiremos para 6000 pés no rumo da posição CT007 e aguardaremos instruções do controle de aproximação”.

Até o próximo artigo!