Indicadores, luzes, botões, switches, reloginhos, telas.. Antigos ou modernos, os cockpits de grandes jatos comerciais causam espanto e admiração em muita gente. Mas pra que serve tanto botão? Como os pilotos se acham no meio de tantos deles?

Lógico que precisa de muito treinamento e estudo, mas não é tão complicado como parece, em se tratando das 3 maiores pelo menos, Boeing, Airbus e Embraer, a divisão dos painéis segue uma mesma lógica, que faz com que o piloto saiba onde está aquilo que ele precisa mexer, nada está disposto lá aleatoriamente.

Vamos começar de cima para baixo, com o painel “Overhead” (em inglês significa “sobre a cabeça”, que é onde esse painel fica)

É onde ficam algumas informações e os controles dos diversos sistemas da aeronave: elétrico, hidráulico, pressurização, ar condicionado, combustível, luzes. É onde liga-se e desliga-se bombas, ativa-se e desativa-se a alimentação cruzada dos tanques, aumenta-se ou diminui-se a temperatura da cabine, controla-se manualmente a pressurização quando não está funcionando de forma automática, etc…

 

A Boeing mantém com o 737 uma filosofia conservadora para facilitar a transição dos pilotos entre as famílias. Há muita semelhança entre o cockpit dos primeiros 737 (-100 e -200) com a família Classic (-300, -400 e -500), e também com a família NG (-600, -700, -800 e -900). Comenta-se que o 737 MAX manterá essa filosofia. O Overhead de todos eles é praticamente igual, por isso um avião novo como um 737-800 da Gol tem um Overhead com aparência tão antiga, é praticamente o mesmo que os breguinhas da VASP! Os sistemas ficam espalhados pelo painel com os mais importantes destacados na cor branca.

 

A Airbus, por outro lado, quando da concepção das famílias A320, A330 e A340, optou por fazer uma comunalidade entre o cockpit de todas essas famílias, também pensando na transição dos pilotos para esses equipamentos e em empresas que possuam eles na sua frota, facilitando para um piloto voar os outros equipamentos. Como são projetos do final da década de 1980, já são muito mais modernos que os 737 da década de 1960. A filosofia da Airbus de automatizar ao máximo a operação dos sistemas das aeronaves resulta no overhead repleto de botões que, em sua maioria, ou estão na posição AUTO (automático) ou OFF (desligado), para caso os pilotos necessitem desligar algum componente desse sistema. Percebam a diferença da operação do sistema de pressurização da cabine por exemplo no 737 e no A320. Os sistemas ficam dispostos mais ergonomicamente no painel, com os principais no centro ocupando mais espaço, e os secundários nas laterais.

O Embraer 190, projeto ainda mais moderno possui um overhead ainda mais simples, mas com a mesma utilidade: sistemas

E190

Overhead Embraer 190

No próximo artigo vamos falar um pouco sobre o painel principal, até lá!