Nevoeiro – nome técnico da neblina – e nuvens são basicamente a mesma coisa, a diferença é que o nevoeiro se forma na superfície, ao contrário das nuvens, que se formam com alguma altura do solo.

A formação desse fenômeno deve-se a propriedades físicas dos gases envolvendo temperatura e umidade. O gás em questão é o ar atmosférico, cuja sua composição quando seco é:

  • 21% Oxigênio
  • 78% Nitrogênio
  • 1% outros gases

Porém quase nunca o ar estará seco desse jeito, sempre haverá uma quantidade de água em estado gasoso (vapor) no ar. Um exemplo de composição atmosférica com água pode ser este:

  • 20% Oxigênio
  • 77% Nitrogênio
  • 2% Água
  • 1% outros gases

Dizemos que este seria um ar úmido. Talvez alguns lembrem das aulas de química, onde vimos que misturas de gases e líquidos possuem um limite de saturação, a saturação do ar atmosférico com água se dá com 4% de vapor de água, portanto o ar está com o máximo de água que pode conter quando está composto assim, por exemplo:

  • 19% Oxigênio
  • 76% Nitrogênio
  • 4% Água
  • 1% outros gases

Sendo este o máximo de água que o ar suporta em sua mistura e estando então saturado, se tentarmos acrescentar mais uma molécula de vapor de água ele não vai suportar e essa água não mais estará “dissolvida” no ar, toda essa umidade contida nele torna-se gotículas de água em suspensão, que passam a ser visíveis. A água em suspensão no ar é uma nuvem, ou um nevoeiro se estiver mais próximo à superfície terrestre!

E a temperatura afeta como?

Quanto maior a temperatura de um gás, mais dispersas estão as suas moléculas, e por isso mais moléculas de água “cabem” entre as moléculas que formam este gás. É aí que mora um dos maiores fatores que formam nuvens e nevoeiro: Se o ar quente estiver com muita umidade, próximo dos 4% que suporta, ao ser resfriado, quando suas moléculas gasosas ficam mais próximas, caberá menos água entre elas, e aí esta mistura vai saturar, simplesmente porque esfriou! Não é por que foi acrescentada mais água à mistura, mas sim porque o limite de saturação ficou mais baixo, cabendo menos água. E aí como já sabemos, a água do ar passará a ser gotículas em suspensão, que são visíveis como nuvem.

A título de curiosidade, talvez alguns estejam com dúvidas do tipo “Volta e meia quando o ar fica muito seco os jornais dizem que devemos nos cuidar pois a umidade do ar está por volta dos 30%”. Este é o conceito de umidade relativa do ar! Sabendo que 4% de água resulta na saturação, e o ar nunca terá mais que 4% de água, esses 4%, RELATIVOS AO MÁXIMO de água que o ar pode conter, são 100% de umidade relativa. Quando numa massa de ar há apenas 2% de vapor de água, a umidade RELATIVA aos 4% máximos será de 50%. Se tiver 3% de água no ar atmosférico, a umidade relativa será 75%, e 25% de umidade relativa para uma massa de ar com apenas 1% de água, situação encontrada apenas em desertos, 25%, 30% de umidade relativa é intolerável para diversas formas de vida, por isso dissemos no início que aquela mistura de ar seco é praticamente impossível ser encontrada, sempre haverá alguma umidade no ar. Até mesmo 50% já é uma umidade relativa baixa demais para quem tem problemas respiratórios.

No próximo artigo vamos ver alguns dos casos práticos em que esses fenômenos com o ar ocorrem na atmosfera, resultando em nuvens e nevoeiro. Até lá!