Dando continuidade ao artigo anterior, vamos falar um pouco sobre os tipos de nuvens que mais ocorrem e que mais afetam a aviação!

O fenômeno mais comum de formação de nuvens é aquele que vemos mais frequentemente no verão: com o calor, a água da superfície terrestre (rios, lagos, oceanos, piscinas, etc) começa a evaporar e fica misturada ao ar atmosférico. Quanto mais próximo à superfície, mais quente o ar está, e como sabemos, ar quente sobe, e com ele sobe a umidade. Ao se afastar da superfície o ar perde temperatura e ao resfriar vai diminuindo sua capacidade de conter vapor de água, até que em determinada altura, com temperatura baixa o suficiente, este ar satura, e alí fica a umidade em forma de nuvem.

Essa é a formação de nuvem mais simples, onde o ar satura por evaporação devido ao calor e posterior resfriamento. Assim são formadas as nuvens “cumulus”, são aquelas que parecem algodão no céu, e como são resultado de correntes de ar subindo e descendo, são fontes de turbulência de leve a moderada devido à movimentação do ar.

Nuvens cumulus

Nuvens cumulus

Nos dias quentes mais e mais dessas nuvens se formam e se desenvolvem. Elas crescem tanto lateralmente quanto verticalmente. Uma nuvem cumulus quando cresce muito verticalmente é chamada de TCU – Towering Cumulus (cumulus formando torre, numa tradução livre). Possuem fortes correntes de ar em seu interior, gerando turbulência moderada a severa.

Nuvem TCU

Nuvem TCU

Um Boeing 767 voando próximo a um TCU, para comparação de tamanho

Um Boeing 767 voando próximo a um TCU, para comparação de tamanho

O TCU pode continuar a se desenvolver até um ponto em que já há tanta água contida e altitudes tão elevadas (frias) que essa água congela e passa a existir granizo em seu interior. Com tanta energia movimentando tanta massa de água subindo e descendo no seu interior, começam a existir descargas elétricas fortíssimas e turbulência severa. Precisamos falar o nome desse Cumulusnimbus? Bom, já falamos! Trata-se do famoso CB, causador de fortes tempestades. Sobre a turbulência? Não queira nem passar perto de um. As nuvens TCU e CB são os únicos dois tipos de nuvens que são especificados na mensagem METAR quando existem, devido à turbulência severa e grande impacto que causam na operação de um aeródromo

Cumulunimbus - CB

Cumulusnimbus – CB

Basicamente esses tipos de nuvens que vimos forma pela evaporação até saturar em altitude, um outro caso muito comum de formação de nuvem ocorre com temperaturas mais baixas. Acontece quando estamos num tempo quente e de repente sobe aquela famosa massa de ar frio ou frente fria, vinda do polo sul. De uma hora pra outra a temperatura do ar baixa drasticamente e toda a umidade que estava contida no ar satura e forma aquela camada enorme de nuvens, que encobrem todo o céu. Normalmente isso resulta em seguidos dias nublados, até que uma massa de ar tropical desça e o tempo esquente, ou então os ventos levem essa umidade e uma massa de ar mais seco tome o seu lugar. Essas são as nuvens stratus, formam uma camada uniforme, deixam a luz passar e o dia fica claro, mesmo nublado. Podem causar chuva leve e por pouco tempo quando estão um pouco mais carregadas, com turbulência leve a moderada.

Céu encoberto por uma camada de nuvens stratus

Céu encoberto por uma camada de nuvens stratus

A região de Curitiba sofre também muita influência de massas de ar que se deslocam da Amazônia, ar quente carregando MUITA umidade. E aqui se chocam com massas de ar mais frias provenientes da Antártica. Resultado? Chuva! Muita chuva! Toda aquela umidade que estava no ar quente que veio da Amazônia não cabe mais na nossa massa de ar frio, então satura, e tanta água acaba precipitando. São nuvens stratus mais carregadas e com formação mais irregular, como os cumulus, de onde vem o nome stratocumulus. Até pode acontecer dessas nuvens não precipitarem, mas mesmo assim deixam o dia bem escuro. Turbulência moderada.

 

céu encoberto, nuvens escuras e de formação irregular: stratocumulus

Céu encoberto, nuvens escuras e de formação irregular: stratocumulus

típica precipitação (chuva) causada por uma camada de nuvens estratificadas

Típica precipitação (chuva) causada por uma camada de nuvens estratificadas

E o nevoeiro? Agora ficou simples: ele se forma ao final da tarde, começo da noite, momento em que a temperatura cai e a umidade satura em superfície mesmo. A região do SBCT é muito úmida devido ao rio Iguaçu na divisa entre Curitiba e SJP. Ou então outro fenômeno que vemos frequentemente é um deslocamento de ar vindo do litoral, passando pela Serra do Mar. Todo aquele ar úmido e quente que passa pela serra do mar encontra ar mais frio do lado de cá da serra e resulta em nevoeiro. Quem está sempre no aeroporto no inverno já deve ter reparado que é comum o vento trazer o nevoeiro justamente do leste, de onde vem as massas úmidas do oceano, é possível ver aquela formação que, no litoral era apenas uma nuvem formada a 900 metros de altura, mas que ao ser empurrada pelos ventos para o outro lado da serra, passa a estar colada ao solo já que este está a 900m do nível do mar.

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Um outro tipo de nuvem muito conhecido, muito bonito e que não interefere diretamente na aviação é o cirrus. Cirrus é aquela nuvem fibrosa que se forma a grandes altitudes, às vezes até mesmo acima do nível de voo de cruzeiro dos jatos comerciais. Todas as nuvens que vimos até aqui são formadas por vapor d’água e podem conter água em estado líquido ou até mesmo granizo em seu interior. O cirrus é formado exclusivamente por pequenos cristais de gelo.

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Nuvem cirrus

O “segredo” do cirrus é o seguinte: ele se forma em elevadas altitudes onde o vento tem maior velocidade pois desloca-se sem intereferências do relevo em solo, e se é formado por cristais de gelo, significa que lá nessa altitude está muito frio. Isso indica que em breve chegará uma massa de ar frio, que só não chegou ainda porque próximo à superficie o vento desloca-se mais lentamente, mas lá em cima, essa massa já chegou! Normalmente quando começam a se formar nuvens cirrus, cerca de 200km para trás está a frente fria. Então essa nuvem não afeta a operação no aeródromo, mas indica que muito em breve, em um dia ou 2 o tempo vai mudar e pode começar a chover.

 

Até o próximo artigo!