A principal premissa do TMA Curitiba sempre foi o compartilhamento de informações com toda a comunidade aeronáutica, seja um profissional da aviação ou um entusiasta com pouco conhecimento da área. Desnecessário então comentar como ficamos chateados ao ver pessoas que pregam pelo contrário disso, o famoso pano preto, ou pior ainda, pessoas que sabe-se lá por que adoram difamar os profissionais da área, a administração aeroportuária e falar inúmeras bobagens sobre o próprio aeroporto e procedimentos sem conhecimento de causa. Esses são conhecidos no “internetês” como haters, e prestam um grande desserviço a toda a comunidade, pois propagam falsas informações e formam opiniões equivocadas naquela população mais leiga, que na falta de conhecimento suficiente para discernir o certo do errado, acaba acreditando em alguns absurdos.

 

Conforme divulgamos dia 23, a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil – autoridade da aviação civil brasileira) autorizou a INFRAERO (operadora do Aeroporto Internacional Afonso Pena (e do Bacacheri também)) a receber voos no SBCT do Boeing 747-8F, e lógico, dúvidas pairaram no ar e alguns haters apareceram também com seus “sábios, calorosos e efusivos” comentários desnecessários. Mas não tem problema! Nós do TMA não somos donos da verdade e não temos conhecimento de tudo, mas sempre que possível vamos atrás das informações necessárias pra compartilhar com vocês as informações corretas!

Enfim, que avião é esse? Ele já não pousa aqui?

Não! O que pousa em Curitiba duas vezes por semana operado pela Cargolux é o 747-400F.

O Boeing 747-8 é o sexto e mais novo projeto da série 747, que iniciou no 747-100 nos anos 1960. Na época a própria Boeing duvidava do potencial de uma aeronave tão grande para o transporte de passageiros, por isso, como um plano B, desenvolveram a fuselagem com um segundo “andar” (deck) e posicionaram a cabine de comando nesse segundo deck, deixando o deck principal livre já pensando na possibilidade de transformar o nariz da aeronave numa grande porta basculante que permitiria o embarque e desembarque de cargas enormes. Conforme os anos foram passando, foram desenvolvidos os Boeing 747SP (versão mais curta), 747-200, -300 e -400, com atualizações na motorização, aviônica, e um aumento no tamanho do upper deck (o segundo andar), porque ao contrário do que a Boeing pensava, o avião foi muito bem aceito no transporte de passageiros em voos de longa distância e precisou de mais espaço para passageiros!

747-400 com a porta do nariz aberta

Na primeira década dos anos 2000 a Boeing anunciou o projeto do Boeing 747-8, começando as mudanças já na nomenclatura: os novos projetos da fabricante norte americana não denominam mais as variantes com centenas (747-400, 737-800, 777-200…), sendo o 747-8i (Intercontinental) a versão de passageiros, e o 747-8F a versão cargueira (Freighter, como de praxe na indústria aeronáutica). Além da aviônica mais moderna atualmente na indústria e dos motores mais silenciosos e eficientes no consumo de combustível, o 747-8 recebeu novas asas e teve sua fuselagem aumentada em cerca de 6 metros.

Boeing 747-8i. Seu upper deck tem praticamente o mesmo tamanho de um 737-800

O 747-8 possui 76,3m de comprimento contra 70,7m do 747-400, e também possui envergadura (distância entre as pontas das asas) maior: 68,4m contra 64,9m do seu antecessor.

Por que ele nunca veio?

A Cargolux é provavelmente a empresa cargueira mais regular que opera no SBCT e a maior interessada em operar aqui com o 747-8. Não tem nem tempo ruim que a impeça de pousar aqui, pousa sob chuva e se tiver nevoeiro a aeronave fica em VCP até a meteorologia permitir seu pouso aqui, e então eles vem. Louvável o compromisso que a empresa tem com seus clientes. Só transporta carga e carga não reclama, mas seus donos reclamam, e quem utiliza o modal aéreo (caro) o faz porque precisa que sua carga chegue em pouco tempo.

Mesmo assim já vimos a Cargolux cancelar dois voos aqui pelo motivo de este voo ser operado por um 747-8, que foi até Campinas e cancelou a escala em CWB. Oras, se está autorizado, é porque pode pousar aqui, e se pode, porque não pousou antes? O que mudou? Até mesmo o voo da Atlas em outubro de 2016 entrou no discurso dos hatersSimples: agora, desde 15/05/2017 está autorizado, antes não estava, antes não podia. Simples assim.

747-8F. A versão cargueira possui o upper deck mais curto para deixar o avião mais leve e possibilitar levar mais carga! Curiosidade: este 747 de matrícula LX-VCA foi o primeiro 747-8 cargueiro produzido.

 

Mas cara pálida, que “diacho” de autorização é essa? Era tão simples assim? Só precisava autorizar?

É um avião maior, são necessários diversos estudos sobre o espaço que ocupa no pátio, espaço para a operação de solo, impacto nas operações das posições adjacentes e taxiways, busca por soluções para os problemas que aparecerem, e após muito estudo das informações prestadas pela Boeing sobre a aeronave, trabalho duro do pessoal da INFRAERO e DTCEA e até obras de adaptação de infraestrutura e sinalização que possam ser necessárias, o plano é enviado para a ANAC, que como sabemos que é um órgão burocrático e pode demorar bastante tempo para se obter uma resposta. Não sabemos a fundo como foi todo esse processo, mas acreditem que para garantir a SEGURANÇA OPERACIONAL envolvendo uma aeronave deste porte o processo é longo e burocrático.

A única posição que a aeronave poderá parar é a 17A,visível do vidro do terminal e fotografável se não houver aeronave na ponte 2. Se tiver, dá pra fotofrafar após o pushback. Informações iniciais que ficamos sabendo diziam que a operação seria apenas de madrugada, mas existe uma chance de se manterem os horários atuais dos voos da Cargolux, sendo madrugada às quartas feiras e de manhã por volta das 10 às sextas. Continuamos no aguardo, por enquanto estão vindo os 747-400 mesmo.

Posição 17A

Quando virá um 747-8, afinal?

Não temos como saber, agora depende exclusivamente das empresas aéreas. Sabemos que a Cargolux tem interesse, agora basta aguardar. Assim que soubermos avisaremos!

Mas não é muito restrito?

Bom isso é fato: aeronaves widebody não tem performance suficiente para DECOLAR de Curitiba com muito peso numa pista de 2218m a 3000 pés de elevação (900m) em relação ao nível médio do mar. Já vimos o 747-400 da própria Cargolux “comer” a pista inteira decolando com combustível suficiente para um voo direto até Luxemburgo, e não tinha carga. Então ou decola com carga e combustível para um voo curto, ou decola com combustível para um voo longo porém sem carga. Porém isso é para decolagem, e o forte do tráfego cargueiro aqui sempre foi a importação, aeronaves pousam aqui lotadas de carga, mas costumam ter pouca carga para embarcar e levar embora, e o pouso, já com os tanques de combustível muito mais vazios, sempre ocorre tranquilamente.

E como já citamos, o 747-8 possui motores novos mais eficientes, então se ele não for até melhor de performance, deve ser no mínimo igual ao 747-400!

 

Aos amigos leitores que ainda tinham alguma dúvida, esperamos ter esclarecido! Aos haters, só resta aceitar que o Melhor Aeroporto do Brasil na visão do passageiro continua se desenvolvendo pra ser cada vez melhor e atender aos anseios da população e das empresas da região, e como já faz há anos, mantém se afirmando como um ótimo aeroporto para a prática do spotting! Com bons tráfegos, o melhor da aviação executiva passa por aqui, um bom movimento da aviação comercial (já foi melhor né… mas é a crise) e em breve o que faltava da aviação cargueira deixará de faltar! Como não amar nosso querido SBCT?