Da onde surgir esse T-6 amarelo no Festival? Ele é daqui? Confira essa grande história conosco:

Em novembro de 2016 começava na Flórida uma jornada não tão comum nos dias de hoje, o translado de um clássico T-6, uma “criança” da década de 1940!

Nas mãos de Carlos Edo (mestre dos T6 no Brasil) e seu filho, Sebastian Edo, a jornada começou em Fort Lauderdale/EUA no início de Novembro. Após sanar algumas panes, o translado teve início com um atraso de 10 dias, nada quando comparado a epopeia anteriormente vivida por esse clássico, que em 2015, já aqui no Brasil e praticamente pronto para voar, teve de ser desmontado e mandado aos EUA em container pois haviam lacunas da documentação. Devido a burocracia brasileira, levariam-se anos ou quem sabe jamais esse T6 voltaria ao ar, foi então decidido: desmonta-lo, embrulha-lo e manda-lo para os EUA. Com o certificado da FAA, seria fácil importa-lo para o Brasil com a documentação já pronta, sendo apenas checada e validada pela ANAC.

Essa aeronave provavelmente “nasceu” como um AT-6C ou D no início da década de 1940, sendo utilizado para treinamento pela então USAAF (Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos), até que em 1949 (pelo seu serial number) teve seu modelo modernizado para um T-6G, que trazia as seguintes melhorias:
– Melhor layout do cockpit;
– Canopy novo provendo maior visibilidade para o piloto;
– Maior autonomia;
– Bequilha controlável;
– Motor novo de 600hp e rádios novos;

Apesar do serial nos mostrar que ele virou T-6G em 1949, tanto na ANAC quanto no FAA consta que o ano de fabricação é 1951, provavelmente esse é o ano em que a Força Aérea recebeu ele. Devido a falta de registro histórico não sabemos se ele veio diretamente para o Brasil após ser convertido em Golf ou se ainda voou mais um pouco nos EUA. Sabemos que voou na FAB até ser descomissionado e doado a Força Aérea Paraguaia, onde ficou até o ano de 1991, então, foi arrematado junto junto a mais 3 modelos por um americano, que faleceu antes de começar a restauração, passando para um segundo dono, já brasileiro, que trouxe-o para cá e iniciou uma bela restauração, não concluindo-a.

Foi aí que a Helisul tomou a frente do projeto até conclui-lo, mas antes de alçar os céus, outro empecilho, com a aeronave já pronta no Brasil, a falta dos registros históricos supracitados complicou a vida perante a obtenção dos certificados pela ANAC. A Força Aérea Paraguaia tinha mudado placas de serial e outras coisas no avião, incluindo a falta de documentos preciosos para a comprovação de “quem” era aquele T-6. Foi preciso desmontá-lo, embalá-lo e despachar via container para os EUA, onde foi minuciosamente inspecionado e o que salvou a aeronave foi uma pequena placa de identificação original encontrada dentro da cauda. Mais dois anos de trabalho até que ela pudesse voltar ao Brasil, e dessa vez, voando!

Para quem quiser simular esse translado ou apenas gosta de todos os detalhes, seguem as pernas voadas:

12/11/2016
KFXE/MYEF pernoite;
MYEF/MBPV pernoite;
MBPV/MDPC reabastecimento – MDPC/TNCM pernoite;
TNCM/TFFF reabastecimento por conta da meteorologia ruim – TFFF/TGPY pernoite;
TGPY/TTPP apenas 50 min de voo, alternado por conta da meteorologia ruim nas Guianas, pernoite;
TTPP/SYGO reabastecimento – SYGO/SOCA pernoite;
SOCA/SBMQ solo brasileiro, taxas, Receita Federal, Anvisa, PF, pernoite;
SBMQ/SBMA reabastecimento – SBMA/SWGI pernoite;
SWGI/SWNV pane na hélice, 2 pernoites;
SWNV/SDAM décimo dia de voo e vigésimo dia de viagem, pernoite;
SDAM/SBBI apenas com Carlos Edo a bordo.
23/11/2016

KFXE Fort Lauderdale Executive – MYEF Exuma International Airport – MBPV Providenciales International Airport – MDPC Punta Cana International Airport – TNCM Princess Juliana International Airport – TFFF Martinique Aimé Césaire International Airport – TGPY Maurice Bishop International Airport – TTPP Piarco International Airport – SYGO Ogle Airport – SOCA Félix Eboué Airport – SBMQ Aeroporto Internacional de Macapá – SBMA Aeroporto de Marabá – SWGI Aeroporto de Gurupi – SWNV Aeródromo Nacional de Aviação – SDAM Aeroporto Campo dos Amarais – SBBI Aeroporto de Bacacheri

Acompanhe conosco essa jornada junto aos Edo:

Nada disso seria possível sem a paixão do Comandante Eloy Biesuz, proprietário da Helisul Táxi Aéreo, que faz do Bacacheri um aeroporto privilegiado em ter esse magnífico morador.